Um Dia
Sentei no banco da praça, onde o calor batia forte. Queria apenas respirar um pouco, deixar o tempo correr sem pressa. Cumprimentei a senhora ao meu lado, que estava lendo um livro, de capa colorida, letras grandes, mais parecido com livro de história infantil. Ela só balançou a cabeça, e por um segundo pensei que o silêncio pode ser uma resposta educada. Olhei em volta, conversas altas, vem do bar e o tema é Eleição, cadeiras na calçada, gente tomando um suco, um refri, cervejas, escolas com muros pintados com os personagens de Mauricio de Souza. Observando as crianças brincando no pequeno parque percebi que talvez eu também precisasse um pouco dessa leveza. E minhas questões internas ali, me cutucando, pedindo atenção. “Esqueça por um minuto essas preocupações, me aconselha o consciente”. Tem pessoas da direita, da esquerda, dos que ficam em cima do muro, dos duvidosos, é uma mistura de legiões. Mas o clima é de calma, todos riem quando alguém solta uma piada eleitoral (acho melhor não comentar). O bar ainda tem nas paredes os restos da Copa, mas está valendo. Cadeiras de madeira, mesas com toalhas floridas, vaso de planta para espantar o mau-olhado. Lembra muito os bares de beira de estrada.
Encarei novamente a praça. Esqueço um pouco as questões e me deixo levar pelo barulho das crianças. Por um instante, tudo parece simples.
Pego meus pertences e aos poucos vou deixando esse banco, essa praça, esse lugar, percebendo como as pessoas se equilibram para atravessar o semáforo, para chegar ao bar.







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