• Zaira Fabre

Mulheres na Pandemia, por Zaira Fabre

Antes da pandemia, nossa rotina acelerada funcionava como um escape, podendo ser positivo ou negativo, dependendo dos ambientes e das relações que vivemos. Com a pandemia, tivemos que nos recolher e olhar para nós com muita propriedade, além do que, enfrentar as realidades da vida, tendo que organizar tudo dentro de casa. Socialmente, nós mulheres acumulamos tarefas, funções e responsabilidades e isso faz com que tenhamos um estresse maior do que o normal. É nesse panorama, que chamo você a olhar sobre “Mulheres, quem somos?”.


Tem lugares de fala que não compreendemos, mas que a luta de nós mulheres não seja em vão. As lutas das mulheres brancas diferem das mulheres negras, das mulheres indígenas, mulheres pobres, das mulheres da periferia e assim por diante, mas são lutas legítimas.


Enxergo as mulheres trans, lésbicas, bissexuais, indígenas, negras, brancas, deficientes, da terceira idade. Mulheres obesas, jovens, mulheres de todas as idades, dentro de suas casas com os agressores, sofrendo abusos e violência doméstica. Mulheres grisalhas, múltiplas e diversas, nesta pandemia sem fim.


Mesmo nesta pandemia, vejo mulheres em diferentes países, lutando por igualdade profissional, pelo direito de ser mulher e feliz sem o vínculo do estado civil ou de um relacionamento amoroso, na organização da classe trabalhadora e da luta negra nos Estados Unidos no ‘Movimento Black Lives Matter’. No Brasil vivemos o descaso, o crescimento do ódio vindo como estratégia política, o aumento da desigualdade social, desgovernada e negacionista, opressora, onde a classe trabalhadora incluindo mulheres não é ouvida e nem considerada.


Para hoje convido você a olhar por outras perspectivas, o que vivenciamos como mulheres, seja na beleza, nos sonhos e nas realizações. Somos mulheres inspiradoras, mulheres que nos educam, mulheres referências para mulheres, àquelas que acumulam funções sociais. Ainda sociais como há muito tempo na história das mulheres. Mulheres que estão em casa por conta da pandemia, cuidando da casa, acompanhando seus filhos e filhas na aula remota, trabalhando digitalmente, sendo mulheres de seus e de suas parceiras.

Mulheres que trabalham fora, mesmo na pandemia, arriscando-se diariamente na ida e na volta, nos transportes públicos lotados, com medo de levar a doença para dentro de casa. Sem falar das mulheres que desde o início da pandemia, estão na linha de frente, exaustas, trabalhando nos hospitais e unidades básicas de saúde, perdendo vidas a todos os instantes.


Vemos mulheres fazendo história na política, na sociedade, na saúde, na educação. Procuramos mulheres em grandes feitos, e nós? Quem somos nós, mulheres? Somos mulheres escrevendo, diariamente, nossas histórias. Somos mulheres frágeis e fortes, num mesmo corpo, nos tornando referências para outras mulheres de todas as idades. E quanto mais nos empoderamos de conhecimento, de verdade, de alegrias, de vitórias, de conquistas, de amor-próprio e de “nãos”, nossa história fortalece outras mulheres. Quanto mais maturidade, menos distâncias têm umas das outras. Com a maturidade deixamos de ver as mulheres como rivais e nos tornamos mais empáticas com as suas dores e lutas.


Somos mulheres vencendo diariamente uma opressão social, conquistando nossos espaços, podendo estar e ser quem queremos ser. Somos mulheres acumulando funções e papéis sociais. Somos mulheres conquistando o corpo e a beleza sem padrão. Somos mulheres deixando nossos grisalhos descompromissados e vestindo o que desejamos. Somos mulheres num país machista e misógino, onde o sistema protege e justifica, enquanto mulheres buscam por seus direitos, onde são taxadas de desequilibradas, exageradas, mal-amadas, vingativas, interesseiras.


E essa beleza que não é a ideal, somos mulheres com celulite, estrias ou músculos definidos. Mulheres baixas, altas, medianas e anãs. Gordas e magras, sem conceito de si mesmas, com receios e medos de quem querem ser, seja na pandemia, sejam na “normalidade” dos nossos dias. Somos mulheres subjetivas, singular ou plural. Estamos evoluindo, mas temos pressa em estar com pessoas melhores num mundo evoluído. Somos mulheres na luta e na resistência!


Mulher, como você se vê e que lugares você ocupa? Como você se compreende como mulher?


Zaira Fabre é Psicóloga, pedagoga e

Autora do livro Qualidade de Vida: um caminho e muitas escolhas.


Ela faz parte do grupo de Mulheres do projeto É DIA DE ESCREVER.


Quer saber mais sobre ela, acompanhar seus textos e dicas: Segue ela no instagram então :)


@zkf_psico

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