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Além do Continente

há 11 minutos
2 min de leitura

(Este texto partiu de uma orientação de Literatura do Programa Vocacional

foi um jogo de palavras, no final um conto)


Pedro Alvarez, homem maduro, rosto marcado pelas intempéries da vida, pele queimada da exposição ao sol. Camisa corroída pelo vento, calça dobrada acima da canela, o tempo passou, engordou, envelheceu em e com seu barco. Um barco viking langskip (barco de guerra), rústico, a bandeira pendurada no mastro gasto  e frouxo, rasgada por tantas águas que passaram com a velocidade de um raio, a força dos ventos,  arrastando-a para todas as direções. De colorida, forte, imperiosa a um trapo balançando vagarosamente, um marrom encardido. A remada fica difícil. Os remos estão meia boca, por todos os obstáculos que passou.


O casco trincado, conversa com a água que penetrava, por seus furos. 


Esse homem, esse barco e essas águas tentavam em vão atravessar o continente, com correntezas, dias bons, dias não tão bons.


As marés, tempestades, sol, tubarões, aves, atrapalham sua chegada. Mas o barco é resistente como seu condutor. 


Mas esse continente tem fim, e Pedro Alvarez está cansado,  e sua visão encurta esse fim.


Está exausto, já não quer mais navegar. É solitário; seu companheiro de remada o deixou  quilômetros atrás. Não foi fácil despedir-se - havia anos de amizade, tanto no mar quanto na terra. Mas o fim chega para todos, arrancando essa amizade. 


Sua mente está confusa - pelo sol, pelas chuvas, pelas nuvens, pelas estrelas.Por tudo que  viu, alcançou; seus ouvidos ouviram, a boca se fechou, a palavra não dita.


Recostou-se calmamente no banco do seu barco, deixou de lado o remo, fechou os olhos.


Acordou em uma praia de Copacabana, cercado por turistas que tiravam selfies com o “último viking”.


Stela 14/08/26


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