• Marcos Vieira

Minha Quarentena, Minha Vida, por Marcos Vieira

Sabe aquele clima de prisioneiro, riscando os dias na parede da cela? Tô nesse

pique!


Há exatos 386 dias, fui dispensado da escola e há 386 dias estou aqui, usando

máscara ao sair, a sola do meu chinelo vê mais cândida que banheiro de posto,

álcool na mão, álcool na compra, tô parecendo um palito de fósforo, se acenderem

fogo perto de mim, já era. Sem falar da dúvida se é só a rinite atacada, ou corona

(sempre acho que é corona).


Mas falando sério...


Eu, com todo esse tempo em casa, percebi que não tá todo mundo no mesmo barco

e nunca estivemos! Na real, tá todo mundo no mesmo mar, um com iates, outros

com canoas e por fim a galera que vai a nado mesmo. No Brasil, tínhamos 337 mil

nadadores, nesse mar revolto, vulgo pandemia. Eu digo tínhamos, pois eles se

afogaram, alguns pela falta de informação, outros por falta de acessibilidade e a

maioria esmagadora simplesmente pelo descaso!


O lado "bom" da quarentena, foi que eu me aproximei mais de mim mesmo,

comecei a escrever poesia, fiz o meu mapa astral e descobri que sou mais d'água

do que da terra, afinal uma pessoa que é de peixes, com asc em peixes, Lua em

peixes e Sol em peixes, só falta respirar debaixo d'água!


Meu nome é Marcos, estou há 386 dias em casa, tomando banho quando chego

porque o corona pega no cabelo, sei mais de máscara do que de mim mesmo e só

pra constar, estou me cagando de medo!


Minha quarentena, minha vida pt 2
(Leitos lotados)

Mais do que nunca,

a vida e a morte andam lado a lado.

Disputando um ser humano,

em cada leito de UTI ocupado!

Mais de 1 ano de mortes todos os dias,

mais de 12 meses de óbitos contados.

A cada 6 minutos um coração parado,

um saco preto fechado

e um caixão lacrado!

Velórios de 15 minutos,

sem chance alguma de despedida.

O que precisamos entender,

é que atrás de cada número

existe uma vida perdida.

Vítimas da falta de informação,


vítimas da máscara no queixo

e de cada aglomeração!

Fica difícil!

Quando 10 dias estipulados

pra evitar a contaminação,

pro povo, se torna apenas, um "feriadão!"

Dificulta um pouco mais,

quando o motivo pra outra uma guerra política

é apenas a vacinação.

Desvio de dose, juíz dando carteirada

e falsa aplicação, a verdade nua e crua.

Tinha que ser aqui...


O país que até em uma pandemia,

vê oportunidade pra fazer falcatrua!

Esse Jipe chamando saúde pública,

andou mais um tequinho pro atoleiro.

Pois, pra ajudar o descaso,

chegou o jeitinho brasileiro.

Ah, o jeitinho...

Que organiza festa clandestina,

com copão compartilhado sem o menor pudor.

Mas na hora do vamo ver,

quem tá do seu lado,

são o cilindro de oxigênio e o respirador!

Cilindro esse,

que celebridade providenciou.

Afinal, taparam os olhos, os ouvidos

e o colapso em Manaus chegou.

Através desses versos,

deixo meu pêsames a todos que perderam alguém e hoje carregam a dor

então para o bem de todos:

se protejam por favor,

não deixem chegar ao ponto em que,

a vida de uma pessoa dependa de um desfibrilador!



Marcos Vieira é poeta e um dos participantes do projeto É DIA DE ESCREVER.


Ele participa do grupo de jovens, e foi 3º lugar no SLAM ECOS DE DURBAN-2021.


Segue ele lá no instagram @vieira_marcos_08

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