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Entre Monstros E Estrelas

As mulheres sempre estiveram lá.


Nas linhas telefônicas que mantinham o mundo conectado, nas salas de parto onde vidas começavam, nas trincheiras da guerra cuidando dos feridos. Estiveram lá escrevendo histórias que mudaram a literatura, calculando trajetórias que levaram astronautas ao espaço, organizando cartas que mantiveram soldados vivos de esperança. Mas muitas morreram sem reconhecimento, sem herança, sem filhos e sem voz.


Hoje, quando escolho votar em uma mulher nas eleições, não é apenas sobre o presente: é sobre todas elas.


Não gosto da palavra “empoderamento” — soa como moda. Prefiro falar em herança de coragem.


Porque a mulher atual não se empodera: ela carrega em si a força de todas que vieram antes.


Cada voto em uma mulher é também um gesto de memória.


É dizer: eu não esqueci das telefonistas, das parteiras, das enfermeiras, das escritoras, das cientistas, da negra que libertou escravos, das que organizaram batalhões, da que regeu  orquestra.


Eu não esqueci das que morreram sem reconhecimento.


E também não esqueci da conquista do voto - o gesto que abriu caminho para todas nós falarmos, escolhermos, existirmos. 


E é por isso que, ao chegar às urnas, eu voto com elas.

Com todas elas.



Stela Alves 24/07/2026


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