Que o Tempo Nos Marque
- Stela Alves

- há 3 dias
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O corpo envelhecido não é falha, é história, é memória.
A sociedade insiste em tratá-lo como invisível.
Às vezes me pergunto por que a sociedade parece tão despreparada para ver mulheres envelhecer?
Quando uma artista como a Xuxa aparece, os comentários não falam de sua história, mas do corpo, da idade, do que mudou.
E isso revela algo profundo: o envelhecimento feminino ainda é tratado como erro.
Desde cedo somos cobradas a sermos jovens, belas e magras como se a juventude fosse um dever.
Quando o corpo muda, somos empurradas para a invisibilidade.
Enquanto homens envelhecem e são chamados de “maduros” ou “experientes”, nós somos vistas como “acabadas”.
A crítica ao corpo feminino é uma forma de controle social: “Sua dignidade está condicionada à aparência jovem?’
Mas o que acontece com as artistas é apenas o reflexo do que vivemos no cotidiano.

Nós, mulheres comuns, também somos julgadas (nas ruas, nos ambientes de trabalho, nas redes sociais) por não corresponder a um padrão que envelhece mal.
A mídia amplifica o que já está enraizado:a ideia de que o valor da mulher está na juventude e na aparência.
Cada ruga, cada marca, cada mudança é história.
É memória, é vida.
O envelhecimento deveria ser celebrado como acúmulo de experiências, não como perda de valor.
O que me entristece é perceber que a sociedade ainda não aprendeu a enxergar beleza além da juventude.
E enquanto isso não mudar, continuaremos a negar às mulheres o direito de envelhecer com dignidade, visibilidade e respeito.
Que o tempo nos marque, mas nunca nos apague.
"Esta crônica reflete sobre o envelhecimento feminino e a forma como a sociedade insiste me torná-lo invisível. Entre memórias e marcas do tempo, defendo o direito de envelhecer com dignidade, visibilidade e respeito"
Mesmo que esse corpo seja o da Xuxa.
Stela 03/08/26





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