Resenha | A Última Casa — Wagner Moura merecia uma casa com um roteiro melhor
- Milly Alves

- 14 de ago.
- 6 min de leitura
Hello, Hello, Hello, Manas, Monas e Manos.
Olha... Eu vi Wagner Moura, vi Greta Lee, vi uma família misteriosamente presa dentro da própria casa, filminho de ficção científica e suspense pra fechar o domingão, tinha bichão esquisito e aí pensei: “Pode pá! Agora vai.”
Bom... Não foi.
A Última Casa (The Last House), novo filme da Netflix dirigido por Louis Leterrier, parte de uma premissa que, convenhamos, é bem interessante: de uma hora para outra, Jason (Wagner Moura), Ann (Greta Lee) e seus dois filhos simplesmente não conseguem mais sair de casa.
As portas não abrem, as janelas não quebram e tudo porque uma chuva estranha cai lá fora.
Tem alguma coisa rondando a vizinhança e ninguém faz a menor ideia do que está acontecendo.
A família precisa descobrir como sobreviver enquanto comida, água e tudo aquilo que consideramos básico começa a acabar.
E meus bem, eles não ficam presos por alguns dias e meses não. São ANOS.
Aí eu pensei: “Agora vem aquele drama psicológico nervoso, tretas na família, gente ficando louca, unhas quebrando enquanto tentam rasgar as paredes.”
Eu só me perguntava antes de assistir e depois durante o filme "como uma família sobrevive emocionalmente tanto tempo presa?", ou "como crianças crescem sem conhecer o mundo?".
tanta coisa, amizades... O que acontece com um casamento num caso assim? Como cada pessoa encontra uma função naquela micro-sociedade? Que tipo de adulto aquelas crianças se tornam?
Minha filha... Eu pensei em tudo isso.
O roteirista, aparentemente, não.
Uma ideia boa presa dentro de um roteiro ruim
Talvez essa seja a coisa mais frustrante de A Última Casa.
Existe um filme muito melhor escondido ali dentro.
A família passa aproximadamente cinco anos confinada, precisando reinventar completamente sua maneira de viver.
Isso sozinho dava pano pra manga para um filme psicológico sensacional. Só que o roteiro prefere correr por várias ideias sem desenvolver direito quase nenhuma.
As crianças são um dos maiores desperdícios. Elas poderiam ter desenvolvido conhecimentos próprios, habilidades ou maneiras diferentes dos adultos de compreender aquele novo mundo.
Em determinado momento, principalmente com a filha, parece que finalmente teremos alguma descoberta importante. Eu fiquei: “AEEE! AGORA VAI!”
E... Naaaada.
Outra coisa. A família consegue produzir alimentos dentro da casa. Beleza. Mas... De onde vieram as sementes?
Sou desses que assiste filme pensando nessas "pedaladas" que tentam dar na gente. Pra mim, tem que ser no mínimo, tipo Interestelar hahaha
OK OK. Forcei!
Mas não dá para meter o loco né gente. Em alguma coisa a gente tem que se segurar, ou, viaja de uma vez nas ideias. Aí convencionamos que é tudo uma viagem.
O filme mostra algumas soluções de sobrevivência, como pesca improvisada e cultivo, mas várias questões práticas ficam simplesmente no ar. Essa falta de explicações (não que eu precise delas sempre) também apareceu em críticas publicadas após o lançamento.
E antes que alguém diga: “Milly, mas é ficção científica!”
SIM, criatura!
Mas ficção científica não significa que vale qualquer coisa. O universo pode ter a regra mais absurda possível. Só precisa me convencer de que aquela regra funciona dentro daquele universo.
Ainda bem que tem Wagner Moura e Greta Lee
Agora vamos falar do motivo pelo qual eu não desliguei esse filme.
O elenco.
Wagner Moura segura Jason muito bem. E Greta Lee também consegue fazer Ann parecer uma pessoa de verdade mesmo quando o roteiro não ajuda.
A química dos dois funciona, e há momentos em que você realmente acredita naquela família tentando continuar existindo enquanto tudo vai desmoronando.
Não estou sozinha nessa percepção: outras críticas também destacaram Moura e Lee como responsáveis por dar peso emocional a uma história cheia de buracos.
Aliás, isso me lembrou bastante o que senti assistindo Scarpetta: como atores bons conseguem carregar nas costas histórias que não estão à altura deles.
O elenco de A Última Casa é o que separa minha avaliação entre: “filme ruim” e
“MEU DEUS, POR QUE EU GASTEI 1H50 DA MINHA VIDA NISSO?”
Porque são 1 hora e 50 minutos, viu?
E tô numa fase ruim de escolhas de filmes e séries, me ajudem pooor favor.
E então chegamos ao final...
🚨 ALERTA DE SPOILER
Normalmente tento preservar vocês. Desta vez... Vou preservar vocês é de assistir esse filme.
Porque, manoooo do céu. A família passa ANOS PRESA. Anos tentando sobreviver. Anos sem conseguir abrir uma porta. Anos reinventando comida. Água. Vida. Tudo. Tem criaturas. Tem mistério. Vizinhos morreram tudo. Tem sofrimento. Tem plano. Tem armadilha. E quando finalmente chegamos ao grande confronto...
Descobrimos que uma atitude de compaixão com a criatura é justamente o que faz com que ela liberte a família.
Gente. Sério?
Ficaram quase uma década presos e só precisava, basicamente, servir um cafezinho pro bichão?
Sei lá o que deu na cabeça desse povo. A intenção provavelmente era chegar numa mensagem sobre empatia, convivência, humanidade, natureza e blá-blá-blá.
Não sei qual era a mensagem. E se tem uma, o problema não foi a mensagem e sim como chegamos nela.
Parece aquele trabalho de escola que você esqueceu e descobre às 23h48 que precisava entregar no dia seguinte às 07h da mamãe.
Alguém cobrou o roteirista "entrega essa merda ou não vai receber", O roteirista mandou um “PUTZ! Preciso terminar isso”.
Gente, juro que não sou só eu implicando. Críticas publicadas após o lançamento também apontaram trazem justamente um filme que começa com uma premissa promissora e perde força justamente quando era pra crescer. Na hora que entra mais profundamente na ficção científica e precisa resolver aquilo que construiu.
E o mais louco: o filme ficou 2 dias em primeiro lugar global!
Pois é. Enquanto eu estava aqui querendo discutir com o roteirista, A Última Casa foi parar no topo da Netflix.
O longa chegou ao primeiro lugar global nos dias 9 e 10 de agosto, segundo dados do FlixPatrol repercutidos pela imprensa.
E isso é muito interessante. Minha aposta? Wagner Moura ajuda MUITO. Greta Lee também. Louis Leterrier é um diretor conhecido. E a Netflix fez uma campanha de divulgação considerável (chegou a colocar um homem vivendo dentro de uma réplica de sala instalada em um outdoor a cerca de 9 metros de altura na Sunset Boulevard, em Los Angeles).
Ou seja: Marketing teve. Elenco teve. Diretor teve. Audiência teve. Só esqueceram de avisar o roteirista que ele também precisava comparecer.
Para mim: 3/10
🍅 Rotten Tomatoes: 27% de aprovação da crítica (Vexame que diz?)
🎥 IMDb: 5,6/10
Notas consultadas em agosto de 2026 e sujeitas a alteração conforme novas avaliações sejam publicadas.
Curiosidades da produção
Uma coisa eu preciso reconhecer: tecnicamente, houve bastante cuidado. A casa foi construída especialmente para o filme e pensada para envelhecer junto com os personagens. Objetos, eletrodomésticos e elementos do cenário precisavam demonstrar a passagem dos anos de confinamento.
E tem coisa que conversa diretamente com minha paixão pelos anos 80 e 90: parte do filme foi rodada em película 35 mm. O diretor Louis Leterrier contou que buscava justamente uma textura inspirada nos filmes de Steven Spielberg e nas produções da Amblin com as quais cresceu.
Pode Pá! Aí vocês me pegam.
Outra curiosidade: antes de receber o título The Last House, o projeto circulou como 11817 e também apareceu internamente como Hideaway.
E o elenco chegou a treinar com um especialista real em sobrevivência para tornar mais convincentes as estratégias utilizadas pela família.
Ficha Técnica
Título: A Última Casa (The Last House)
Ano: 2026
Direção: Louis Leterrier
Roteiro: Matthew Robinson
Duração: 1h50
Distribuição: Netflix
Gênero: Ficção científica, suspense, terror
Produção: Louis Leterrier, Peter Chernin, Jenno Topping, Kori Adelson e Oly Obst.
Elenco principal
Wagner Moura — Jason
Greta Lee — Ann
Riley Chung — Ruth
Noah Alexander Sosnowski — Graham
Emma Ho — Ruth mais velha
Gabriel Barbosa — Graham mais velho
Vale a pena?
Para mim?
Um grande Não.
E olha que normalmente tento encontrar aquele “Ah, se você gosta de tal coisa, talvez valha...”
Dessa vez tá difícil, camaradas.
O elenco é bom, a produção é bonita, a premissa é ótima, tem algumas ideias interessantes sobre confinamento, família e sobrevivência, mas o roteiro não desenvolve justamente aquilo que poderia transformar A Última Casa em um filmaço.
E quando finalmente precisa explicar ou concluir alguma coisa...Vem aquele final.
Então vou cometer o crime máximo de uma resenhista: economizar o tempo de vocês.
Se ainda quiser assistir, vai fundo e depois volta aqui para brigarmos nos comentários.
Principalmente porque eu preciso saber:
Vocês compraram esse final?
Porque talvez eu esteja sendo muito ranzinza. Ou talvez o bichão só quisesse mesmo um pouco de educação durante esses cinco anos todos.
Falou, valeu e tranquem as portas!
Milly Alves




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